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SOBRE A BREVIDADE DA VIDAPEARL JAM. No code. Epic, 1996.

O Pearl Jam, junto com Nirvana e Alice in Chains, foi um dos maiores expoentes da cena grunge de Seattle. Em 1991 lançaram Ten, um disco cheio de vibe, ritmos e guitarras estridentes. Em 1996, já devidamente lançado ao panteão dos grandes nomes do rock, a banda lança o enigmático No code, um petardo recheado de dúvidas existencialistas e crise de identidade, que faria Sêneca se sentir como membro da banda. Acostumados ao som arrasador dos discos anteriores, o público estranhou esse filhote no ninho. Entretanto, com o passar do tempo, No code se mostrou a verdadeira obra prima do Pearl Jam. No lugar das guitarras cortantes, o álbum abre com Sometimes, onde o sussurro de Eddie Vedder reverbera aos inauditos: “Sou apenas um livro entre tantos outros na estante”. Claro que, acostumados aos solos flamejantes de Mike MacCready, a banda não deixaria passar batido, e a segunda faixa Hail hail surge sem aviso, quase causando uma síncope nos …
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É UMA BRASA, MORA!
ROBERTO CARLOS. É proibido fumar. CBS, 1964.
Esqueça o Roberto Carlos cafona, que só usa azul e branco, interpretando seus sucessos radiofônicos bregas, exaltando a beleza da mulher pequena e dizendo “Esse cara sou eu”.
Na década de 1960, com a ascensão dos Beatles na Europa e Estados Unidos, surgiu no Brasil o estilo Iê Iê Iê (aportuguesamento de Yeah Yeah Yeah, presente na letra de She loves you, sucesso do quarteto de Liverpool).
O maior nome desse estilo musical no Brasil, mais tarde rebatizado de Jovem Guarda, foi justamente esse senhor septuagenário.
Roberto Carlos, fã incondicional de João Gilberto, tentou, em início de carreira, seguir os passos do mestre, lançando o LP Louco por você, em 1961, que se mostrou um desastre de vendas. Nesse disco, Roberto Carlos canta as dores do coração, assim como os astros e estrelas da década de 1950, lembrando muito o estilo samba-canção. Algo que a juventude daquela época não queria ouvir. Os jovens de então já estavam …
IT WAS 50 YEARS AGO TODAY...THE BEATLES. Sgt. Pepper’s lonely hearts club band. UK: EMI, 1967.



















Em 1967 os Beatles lançavam aquele que seria o divisor de águas do rock. Depois de Sgt. Peppers Lonnely Hearts Club Band nada mais seria o mesmo. A começar pela capa. O projeto gráfico idealizado por Peter Blake trazia a representação de 62 personalidades dividindo o frontispício com a banda de Liverpool. Na contra capa  aparecia, pela primeira vez, as letras das músicas. Algo comum hoje, mas que foi idealizado para o Sgt. Peppers.
De acordo com Rondeau (1985), a idéia do disco surgiu após Paul McCartney compor uma canção que falava sobre uma banda imaginária liderada por um fictício Billy Shears. Levaram a ideia para o produtor George Martin e gravaram todo um disco como se fossem a Banda do Sargento Pimenta (Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band), e não os Beatles.
Dentro do disco, as músicas compostas traziam uma revolução em sua produção. George Martin levou cítaras, editou sons de rua e …
NINGUÉM ENTENDE UM MOD. THE WHO. My generation. Decca, 1965.


Cada geração tem suas próprias angústias e frustrações. Não seria diferente com aqueles que adentraram nessa etapa da vida na década de 1960.
Além disso, na Inglaterra, ainda havia o confronto entre Mods e Rockers, com cada grupo defendendo seu estilo de vida, seus ternos e seus dentes. O embate era, por vezes, na porrada mesmo. Como a maior representante do movimento mod, surge a banda The Who, composta por Pete Townshend (guitarra), Roger Daltrey (vocais), John Entwistle (baixo) e Keith Moon (bateria). Hoje considerada uma das maiores bandas de rock and roll de todos os tempos, a banda, inicialmente, ficou famosa por arrebentar completamente seus instrumentos no final dos shows. Seus primeiros álbuns vinham repletos de canções curtas e agressivas, com temas recorrentes de rebelião juvenil e confusão sentimental. Surtiram, inclusive, influências no surgimento do punk, anos depois. Para destacar seu estilo, a banda criou o sl…
TÃO LONGE, TÃO PERTO. LEGIÃO URBANA. Que país é este. 1978-1987. EMI, 1987.Em nosso país, a década de 1980 serviu de palco para grandes mudanças políticas e sociais. Os militares haviam devolvido o comando do Brasil ao setor civil e Tancredo Neves havia sido eleito presidente da República pelo Colégio Eleitoral. Entretanto, faleceu antes de sua posse. Seu vice-presidente, José Sarney, “o protótipo do político ao velho estilo brasileiro”[1], assume o comando do país e lança sucessivos planos econômicos, durante seu mandato, com a intenção de debelar a grave crise econômica que assolava o Brasil. O “milagre econômico” dos anos 1970 tinha dado lugar à “década perdida” da década de 1980. As manchetes dos jornais estampavam em letras garrafais:  inflação, desemprego e recessão.
O rock, estilo musical contestador, serviu como catalisador das aspirações, frustrações e sentimentos da juventude da época. Em dezembro de 1987, quando “a inflação acumulada no ano chegou a 365,99%, a Legião Urbana re…
UMA ALMA ANGUSTIADA. Alice in Chains. Jar of flies. Columbia, 1994.
No começo de 1994, a banda Alice in Chains, oriunda de Seattle, berço do grunge, lançava Jar of flies, um EP acústico, com cordas e gaitas, repleto de letras tristes e mórbidas. Isso logo após o grande sucesso de seu disco anterior, Dirt.

Segundo o vocalista, o performático Layne Staley, “[...] lançamos um disco que vendeu muito bem, fizemos boas turnês e agora estamos no meio de uma calmaria”[1]. De fato, a banda passava por um período de aparente tranquilidade, com seu vocalista livre do uso de drogas, tentando exorcisar seus demônios através de letras recheadas de angústia, solidão e desencanto. Em Nutshell, a faixa de maior execução do disco, pode ser ouvido que “Se não posso ser eu mesmo, eu me sentiria melhor se estivesse morto”, ou ainda “Ninguém com quem chorar, nenhum lugar para chamar de lar”. Em Don’t follow, a amargura levada à enésima potência: “Esqueci minha mulher, perdi meus amigos, as coisas que fiz e o…
PALAVRAS SÃO NAVALHAS. BELCHIOR. Alucinação. Polygram, 1976.
Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes, ou simplesmente Belchior, cantor e compositor cearense, foi uma das mais importantes vozes no cenário musical brasileiro no período pós-1968, os chamados “anos de chumbo”. À essa época, o paísl vivia o ufanismo resultante do “milagre brasileiro” com a censura exercendo uma vigilância exacerbada sobre o meio artístico.
Nascido na cidade de Sobral, Belchior, teve uma infância simples, de menino do interior. Mudou-se para Fortaleza com o objetivo de continuar seus estudos, ingressando no Liceu do Ceará. Cursou Filosofia e chegou a iniciar o curso de Medicina. Em meio à criativa boemia do início dos anos 70, o jovem cantor resolveu largar a faculdade e encarar a “vida de artista”, mudando-se para o Rio de Janeiro em 1971.[1]
Em 1972, começou a obter o reconhecimento nacional a partir da gravação de Mucuripe pela cantora Elis Regina. Em 1974 lançou seu primeiro disco, A palo seco, c…