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IT WAS 50 YEARS AGO TODAY...THE BEATLES. Sgt. Pepper’s lonely hearts club band. UK: EMI, 1967.
Em 1967 os Beatles lançavam aquele que seria o divisor de águas do rock. Depois de Sgt. Peppers Lonnely Hearts Club Band nada mais seria o mesmo. A começar pela capa. O projeto gráfico idealizado por Peter Blake trazia a representação de 62 personalidades dividindo o frontispício com a banda de Liverpool. Na contra capa  aparecia, pela primeira vez, as letras das músicas. Algo comum hoje, mas que foi idealizado para o Sgt. Peppers.
De acordo com Rondeau (1985), a idéia do disco surgiu após Paul McCartney compor uma canção que falava sobre uma banda imaginária liderada por um fictício Billy Shears. Levaram a ideia para o produtor George Martin e gravaram todo um disco como se fossem a Banda do Sargento Pimenta (Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band), e não os Beatles.
Dentro do disco, as músicas compostas traziam uma revolução em sua produção. George Martin levou cítaras, editou sons de rua e …
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NINGUÉM ENTENDE UM MOD. THE WHO. My generation. Decca, 1965.


Cada geração tem suas próprias angústias e frustrações. Não seria diferente com aqueles que adentraram nessa etapa da vida na década de 1960.
Além disso, na Inglaterra, ainda havia o confronto entre Mods e Rockers, com cada grupo defendendo seu estilo de vida, seus ternos e seus dentes. O embate era, por vezes, na porrada mesmo. Como a maior representante do movimento mod, surge a banda The Who, composta por Pete Townshend (guitarra), Roger Daltrey (vocais), John Entwistle (baixo) e Keith Moon (bateria). Hoje considerada uma das maiores bandas de rock and roll de todos os tempos, a banda, inicialmente, ficou famosa por arrebentar completamente seus instrumentos no final dos shows. Seus primeiros álbuns vinham repletos de canções curtas e agressivas, com temas recorrentes de rebelião juvenil e confusão sentimental. Surtiram, inclusive, influências no surgimento do punk, anos depois. Para destacar seu estilo, a banda criou o sl…
TÃO LONGE, TÃO PERTO. LEGIÃO URBANA. Que país é este. 1978-1987. EMI, 1987.Em nosso país, a década de 1980 serviu de palco para grandes mudanças políticas e sociais. Os militares haviam devolvido o comando do Brasil ao setor civil e Tancredo Neves havia sido eleito presidente da República pelo Colégio Eleitoral. Entretanto, faleceu antes de sua posse. Seu vice-presidente, José Sarney, “o protótipo do político ao velho estilo brasileiro”[1], assume o comando do país e lança sucessivos planos econômicos, durante seu mandato, com a intenção de debelar a grave crise econômica que assolava o Brasil. O “milagre econômico” dos anos 1970 tinha dado lugar à “década perdida” da década de 1980. As manchetes dos jornais estampavam em letras garrafais:  inflação, desemprego e recessão.
O rock, estilo musical contestador, serviu como catalisador das aspirações, frustrações e sentimentos da juventude da época. Em dezembro de 1987, quando “a inflação acumulada no ano chegou a 365,99%, a Legião Urbana re…
UMA ALMA ANGUSTIADA. Alice in Chains. Jar of flies. Columbia, 1994.
No começo de 1994, a banda Alice in Chains, oriunda de Seattle, berço do grunge, lançava Jar of flies, um EP acústico, com cordas e gaitas, repleto de letras tristes e mórbidas. Isso logo após o grande sucesso de seu disco anterior, Dirt.

Segundo o vocalista, o performático Layne Staley, “[...] lançamos um disco que vendeu muito bem, fizemos boas turnês e agora estamos no meio de uma calmaria”[1]. De fato, a banda passava por um período de aparente tranquilidade, com seu vocalista livre do uso de drogas, tentando exorcisar seus demônios através de letras recheadas de angústia, solidão e desencanto. Em Nutshell, a faixa de maior execução do disco, pode ser ouvido que “Se não posso ser eu mesmo, eu me sentiria melhor se estivesse morto”, ou ainda “Ninguém com quem chorar, nenhum lugar para chamar de lar”. Em Don’t follow, a amargura levada à enésima potência: “Esqueci minha mulher, perdi meus amigos, as coisas que fiz e o…
PALAVRAS SÃO NAVALHAS. BELCHIOR. Alucinação. Polygram, 1976.
Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes, ou simplesmente Belchior, cantor e compositor cearense, foi uma das mais importantes vozes no cenário musical brasileiro no período pós-1968, os chamados “anos de chumbo”. À essa época, o paísl vivia o ufanismo resultante do “milagre brasileiro” com a censura exercendo uma vigilância exacerbada sobre o meio artístico.
Nascido na cidade de Sobral, Belchior, teve uma infância simples, de menino do interior. Mudou-se para Fortaleza com o objetivo de continuar seus estudos, ingressando no Liceu do Ceará. Cursou Filosofia e chegou a iniciar o curso de Medicina. Em meio à criativa boemia do início dos anos 70, o jovem cantor resolveu largar a faculdade e encarar a “vida de artista”, mudando-se para o Rio de Janeiro em 1971.[1]
Em 1972, começou a obter o reconhecimento nacional a partir da gravação de Mucuripe pela cantora Elis Regina. Em 1974 lançou seu primeiro disco, A palo seco, c…
O LADO ESCURO DA LUA PINK FLOYD. Dark side of the moon. 1973.
Duas características que prevaleceram na maioria das bandas rock dos anos 1970: os discos conceituais e o virtuosismo. Pink Floyd detinha as duas.

Com Dark side of the moon, a banda inaugurava o que se convencionou chamar de disco conceitual, onde “as faixas eram concebidas como filmes sonoros”[1]. Ou seja, o disco era uma obra completa, com começo, meio e fim, onde as faixas se encaixavam e se sucediam como frames de um filme, criando, dessa forma, uma narrativa e um ambiente próprios.

Gravado no Abbey Road, estúdio mítico onde os Beatles gravaram Sgt. Peppers...; Dark side... foi o oitavo disco do Pink Floyd, já com David Gilmour substituindo Syd Barret, o “diamante louco”. Suas músicas refletem as pressões do mundo moderno e as doenças da alma decorrentes (ambição, avareza, paranóia). Em suas letras: “Carro novo, caviar, [...] Acho que vou comprar um time de futebol” (Money); “Você tranca a porta e esconde a chave, Há algué…
UM JUAZEIRENSE CHAMADO JOÃO










JOÃO GILBERTO. Chega de saudade. Odeon, 1959.
Nos anos 1950, a juventude, cansada do baixo-astral presente nas músicas de Lupicínio Rodrigues e de Antônio Maria, começava a se reunir em grupos para tocar violão. Para os pais era um absurdo, pois naquela época, violão era instrumento de vagabundo. O cream de la cream era tocar acordeão.
Em 1950, um certo juazeirense de nome João Gilberto, chegava à cidade maravilhosa, para fazer parte de um grupo vocal chamado Garotos da Lua. Por tabela, arrumou também um cabide na Câmara dos Deputados. Como não aparecia para cumprir o horário em nenhum dos seus empregos, acabou sendo demitido de ambos. Com isso, sem ter onde morar, perambulou pelas casas dos amigos, sem a preocupação de ajudar nas despesas ou mesmo na organização da casa. Com isso, era sempre convidado a “se mudar” para outro endereço.
Por essa época, Roberto Menescal e Carlos Lyra, dois adolescentes, já haviam inaugurado sua “academia de violão”, empreendiment…