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TUDO NOVO DE NOVO
JORGE BEN. Samba esquema novo. Philips, 1963.
Lançado em 1963, Samba esquema novo quebrou o paradigma musical existente, tanto quanto Chega de saudade havia feito em 1959. Jorge Ben surgia, dessa forma, como o novo vetor da música jovem brasileira e, mais importante, nem era bossa nova, nem era música popular, nem era Jovem Guarda. Era tudo ao mesmo tempo agora. Na contra capa do LP pode-se ler que Jorge Bem “É fenômeno mesmo, pois desde há muito não aparecia ninguém como ele no meio artístico [...]”. Enquanto a turma de Elis Regina se estranhava com os seguidores de Tom Jobim e estes torciam o nariz pra galera de Roberto Carlos, Jorge Ben aglutinava público de todos os segmentos. Recheado de clássicos (Mas, que nada; Chove, chuva; Balança pema, e muitos outros), Samba esquema novo é considerado, hoje, um dos maiores lançamentos de toda a música brasileira. Por ter sido um sucesso imediato de crítica e público, além de contar com lindas melodias e vocais harmoniosos, Samba…
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INSÓLITA ARIDEZ


U2. The unforgettable fire. Island, 1984.
Em 1984, o mundo vivia sob a ameaça da destruição nuclear, sustentada pela disputa entre EUA e URSS. Vivíamos a Era Reagan. Nenhuma banda de rock soube traduzir, em suas músicas, esse tênue limite entre cena política e social como U2. The unforgettable fire, o quarto disco da banda irlandesa, tinha seu título surrupiado de uma exposição de pinturas dos sobreviventes de Hiroshima. Era o fogo inesquecível da bomba atômica queimando corpos e sonhos, em fins da Segunda Guerra Mundial. Mas o disco não se limitava a isso. A temática central de suas canções era o fato de que, por mais esperança que tenhamos, somos áridos e sem vida, e vivemos, de uma forma ou outra esperando pela morte. Assim é a vida. Não há o que fazer, apenas sonhar. Segundo as palavras de Bono, “o mundo se move pelos escombros de um sonho de paisagem”, e segue em sua retórica explicitando que “os muros da cidade foram todos colocados abaixo [...] vejo rostos enruga…
SANTUÁRIO DO ROCK
THE CULT. Love. Beggars, 1985.
Em 1985, a banda inglesa The Cult, lançou seu segundo álbum. Recheado de referências e influências do Led Zeppelin, Love veio ao mundo, ressuscitando a psicodelia de Hendrix e as guitarras de Page, acompanhadas pelo vocal a la Plant do jovem vocalista Ian Astbury.
Na época, a banda foi saudada como a “mais vital das ilhas britânicas” (ESCOBAR, 1987, p. 34) e o álbum Love foi chamado de “uma aventura surpreendente” (BORBA JUNIOR, 1986, p. 18).
O fato é que em suas dez faixas, a banda trata de assuntos ligados à natureza (influência da atração de Astibury pela cultura ameríndia) como em Brother Wolf sister moon, drogas em Nirvana e espiritualidade em Hollow man.
O ponto alto, sem dúvida, é a faixa She sells sanctuary (vale a pena ver o clip oficial do single, presente na nossa playlist), onde o vocal de Astibury duela com os riffs da guitarra de Billy Duff, resultando em uma música de vibe avassaladora. Puro blues metaleiro dos anos 1980. A ba…
SOBRE A BREVIDADE DA VIDAPEARL JAM. No code. Epic, 1996.

O Pearl Jam, junto com Nirvana e Alice in Chains, foi um dos maiores expoentes da cena grunge de Seattle. Em 1991 lançaram Ten, um disco cheio de vibe, ritmos e guitarras estridentes. Em 1996, já devidamente lançado ao panteão dos grandes nomes do rock, a banda lança o enigmático No code, um petardo recheado de dúvidas existencialistas e crise de identidade, que faria Sêneca se sentir como membro da banda. Acostumados ao som arrasador dos discos anteriores, o público estranhou esse filhote no ninho. Entretanto, com o passar do tempo, No code se mostrou a verdadeira obra prima do Pearl Jam. No lugar das guitarras cortantes, o álbum abre com Sometimes, onde o sussurro de Eddie Vedder reverbera aos inauditos: “Sou apenas um livro entre tantos outros na estante”. Claro que, acostumados aos solos flamejantes de Mike MacCready, a banda não deixaria passar batido, e a segunda faixa Hail hail surge sem aviso, quase causando uma síncope nos …
É UMA BRASA, MORA!
ROBERTO CARLOS. É proibido fumar. CBS, 1964.
Esqueça o Roberto Carlos cafona, que só usa azul e branco, interpretando seus sucessos radiofônicos bregas, exaltando a beleza da mulher pequena e dizendo “Esse cara sou eu”.
Na década de 1960, com a ascensão dos Beatles na Europa e Estados Unidos, surgiu no Brasil o estilo Iê Iê Iê (aportuguesamento de Yeah Yeah Yeah, presente na letra de She loves you, sucesso do quarteto de Liverpool).
O maior nome desse estilo musical no Brasil, mais tarde rebatizado de Jovem Guarda, foi justamente esse senhor septuagenário.
Roberto Carlos, fã incondicional de João Gilberto, tentou, em início de carreira, seguir os passos do mestre, lançando o LP Louco por você, em 1961, que se mostrou um desastre de vendas. Nesse disco, Roberto Carlos canta as dores do coração, assim como os astros e estrelas da década de 1950, lembrando muito o estilo samba-canção. Algo que a juventude daquela época não queria ouvir. Os jovens de então já estavam …
IT WAS 50 YEARS AGO TODAY...THE BEATLES. Sgt. Pepper’s lonely hearts club band. UK: EMI, 1967.



















Em 1967 os Beatles lançavam aquele que seria o divisor de águas do rock. Depois de Sgt. Peppers Lonnely Hearts Club Band nada mais seria o mesmo. A começar pela capa. O projeto gráfico idealizado por Peter Blake trazia a representação de 62 personalidades dividindo o frontispício com a banda de Liverpool. Na contra capa  aparecia, pela primeira vez, as letras das músicas. Algo comum hoje, mas que foi idealizado para o Sgt. Peppers.
De acordo com Rondeau (1985), a idéia do disco surgiu após Paul McCartney compor uma canção que falava sobre uma banda imaginária liderada por um fictício Billy Shears. Levaram a ideia para o produtor George Martin e gravaram todo um disco como se fossem a Banda do Sargento Pimenta (Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band), e não os Beatles.
Dentro do disco, as músicas compostas traziam uma revolução em sua produção. George Martin levou cítaras, editou sons de rua e …
NINGUÉM ENTENDE UM MOD. THE WHO. My generation. Decca, 1965.


Cada geração tem suas próprias angústias e frustrações. Não seria diferente com aqueles que adentraram nessa etapa da vida na década de 1960.
Além disso, na Inglaterra, ainda havia o confronto entre Mods e Rockers, com cada grupo defendendo seu estilo de vida, seus ternos e seus dentes. O embate era, por vezes, na porrada mesmo. Como a maior representante do movimento mod, surge a banda The Who, composta por Pete Townshend (guitarra), Roger Daltrey (vocais), John Entwistle (baixo) e Keith Moon (bateria). Hoje considerada uma das maiores bandas de rock and roll de todos os tempos, a banda, inicialmente, ficou famosa por arrebentar completamente seus instrumentos no final dos shows. Seus primeiros álbuns vinham repletos de canções curtas e agressivas, com temas recorrentes de rebelião juvenil e confusão sentimental. Surtiram, inclusive, influências no surgimento do punk, anos depois. Para destacar seu estilo, a banda criou o sl…